Para Mircea Eliade, o Ano Novo é um momento de profunda importância simbólica, representando a regeneração do tempo e o retorno ao tempo mítico e primordial da Criação. É um ritual que permite às sociedades arcaicas escapar da linearidade e do "terror da história".
- Repetição da Cosmogonia: Os rituais de Ano Novo são uma reencenação do mito da criação do mundo (cosmogonia). Ao repetir simbolicamente o ato de criação, o tempo é "reiniciado", retornando ao seu estado original, "puro" e sagrado.
- Anulação do Tempo Profano: O homem religioso, em contraste com o homem moderno e profano que vive no tempo linear e irreversível da história, busca periodicamente anular o tempo acumulado. O Ano Novo é o momento em que o tempo "velho" é abolido, juntamente com seus pecados e impurezas.
- Regeneração e Novo Nascimento: A celebração é um esforço para a renovação e um "novo nascimento" anual, que envolve a expulsão simbólica de pecados, doenças e demônios. Tradições de "fogo novo" ou rituais de purificação estão associados a essa ideia de recomeço.
- O Mito do Eterno Retorno: Esses rituais são centrais para a teoria de Eliade sobre o "mito do eterno retorno" (discutida em sua obra homónima, O Mito do Eterno Retorno), a crença de que, através da prática ritual, é possível retornar ao tempo sagrado e atemporal das origens.
- Modelos Transcendentais: Para Eliade, as ações humanas ganham significado ao imitar modelos divinos ou arquetípicos, revelados nos mitos. O ritual do Ano Novo permite que os indivíduos se reconectem com essa realidade última e transcendente, em oposição à existência profana e cotidiana.
Em suma, o Ano Novo, na perspectiva de Eliade, não é apenas a virada de um calendário, mas um evento cósmico sagrado que garante a ordem e a renovação da existência, permitindo um recomeço ontológico.
TEXTO: IA GEMINI
