sábado, 27 de fevereiro de 2010

Gurdjieff e o Eneagrama

Um Sistema Complexo para estudar a cognição

Esse capítulo resume e atualiza o livro Um mapa, uma bússola - Hipertexto, Complexidade e Eneagrama (GOMES, 2000) e apresenta a noção de Eneagrama como um modelo de sistema complexo capaz medir ruído e auto-organização, associando os fatores dinâmico e sincrônico aos aspectos objetivo e subjetivos. E, no final, em um apêndice inédito, aplica-se o modelo do eneagrama ao pensamento de Carlos Castaneda.

Os livros estão caros porque existem poucos leitores e existem poucos leitores porque os livros são caros; estou doente porque não tenho qualidade de vida e não tenho auto-estima porque estou doente; os biscoitos não vendem porque são velhos e estão velhos porque não foram vendidos. A vida é cheia de Círculos Viciosos, isto é: de ciclos de recorrência em que os fatores causais se condicionam mutuamente impedindo o desenvolvimento ou o funcionamento regular do sistema em questão.

Em contrapartida, também existem os Círculos Virtuosos, ou ciclos de excelência, em que os fatores causais se retroalimentam determinando uma crescente otimização do sistema: muitos leitores = livros baratos = mais leitores; qualidade de vida = saúde = auto-estima; biscoitos fresquinhos = boas vendas = novos biscoitos fresquinhos. Então, essa é a questão central de que me coloco (tanto do ponto de vista teórico como do existencial) há algum tempo: como transformar os ciclos viciosos em ciclos virtuosos? E mais: como e porque a ordem dos fatores causais altera o resultado do sistema? Quais os fatores da excelência comuns a um 'sistema ótimo' e à vida criativa? É possível estabelecer uma teoria centrada no desenvolvimento pessoal?

Os estudiosos apontam a antiga Mesopotâmia como o provável berço do símbolo do Eneagrama. Ele teria sido preservado misteriosamente a várias civilizações, chegando aos nossos dias através dos sábios sufis, os místicos do Islã. O Eneagrama, neste contexto, era um sistema combinado de nove virtudes e nove paixões. Teria sido com eles que o místico armênio G. Gurdjieff (OUSPENSKY, 1980) aprendeu o símbolo e os fundamentos de seu ensinamento.

Gurdjieff utilizava o modelo do Eneagrama como uma síntese do Universo e do Homem, visto como um processo de três níveis em três etapas. A aplicação deste modelo ao corpo humano resultava na teoria das três oitavas (ou eneagramas secundários) e da associação das atividades biológicas de alimentação, respiração e percepção através de vibrações como os três principais processos da máquina humana a serem desautomatizados. Esses processos, por sua vez, seriam interdependentes dentro de uma grande oitava (ou eneagrama principal).


Gurdjieff


Input


Output


Feedback



Oitava


Alimento


Fezes


Biosfera


Líquido


Urina


Hidrosfera



Oitava


Oxigênio


Gás carbônico


Atmosfera



Oitava


Luz e Som


Idéias


Noosfera



Esta bio-máquina tinha três entradas e três saídas, produzindo três ciclos cibernéticos de reatroalimentação intricados em um mesmo processo. E realizar a grande oitava através da desmecanização das três oitavas menores, para Gurdjieff e seus seguidores, é a principal finalidade humana no ecossistema, nossa missão fotossintética e espiritual: a produção do hidrogênio número um (1).

O Eneagrama, neste contexto, era uma estrutura geral do universo visto como um processo de três níveis e três etapas – tanto no micro como no macrocosmo. O sistema do Eneagrama, assim, aparece o entrecruzamento de três centros cognitivos ou “inteligências” - o mental, o sensível e o motor – com três campos ou esferas – a biosfera, a atmosfera e a ionosfera. Nessa época, os nove pontos de fixação do eneagrama não se constituíam em uma tipologia própria. O Eneagrama era um diagrama-síntese da idéia matemática da oitava musical como modelo de desenvolvimento universal.

Tipologia Psicológica

O 'Eneagrama da Personalidade' e a aplicação do símbolo do Eneagrama especificamente ao estudo do caráter só vai surgir nos anos 70 com Oscar Ichazo e a Escola de Arica. Porém é com o trabalho do psicólogo Cláudio Naranjo (1986) que o Eneagrama chegará a se constituir como uma tipologia psicológica rigorosamente fundamentada.

Segundo ele, em algum ponto da vida, nos fixamos em um dos nove pontos da circunferência e, a partir deste ponto, construímos nossa personalidade. A cada ponto de fixação (ou recorrência cognitiva), há uma paixão (ou motivação de deficiência) correspondente. Paixão e fixação se retroalimentam, então, formando um tipo de personalidade do Eneagrama e nos afastando de nossa essência, de nosso verdadeiro Ser.

Nessa lógica, durante o desenvolvimento humano haveria, em algum momento traumático, uma perda, uma limitação, um fracasso no crescimento do potencial pleno, uma fixação do ego em relação à circulação de energia psíquica. A personalidade funciona como uma forma para perpetuar a inconsciência a partir de 'um ponto cego', em que a canalização energia se daria de forma desequilibrada, em que "a percepção está cega da própria cegueira".

Assim, personalidade e inconsciência também formam em um círculo vicioso: a personalidade condicionada conduz à uma interferência específica no organismo biológico (reforçando o ponto de fixação); essa interferência no organismo causa uma perda da experiência (da totalidade) do Ser; e, finalmente, a perda da experiência de Ser alimenta à paixão dominante e à perpetuação da personalidade condicionada.


Tipo


Personalidade


Ponto de Fixação ou
recorrência cognitiva


Paixão ou
motivação de deficiência


1


Perfeccionista


A ordem


Raiva


2


Prestativo


O outro


Orgulho


3


Bem-sucedido


A imagem


Vaidade


4


Individualista


As formas


Inveja


5


Observador


O saber


Avareza


6


Questionador


A autoridade


O medo


7


Sonhador


A palavra


Gula


8


Confrontador


A justiça


Luxuria


9


Pacifista


O corpo


Preguiça


Neste sistema tipológico, o primeiro passo consiste em descobrir qual o centro cognitivo predominante em si: o mental, o emocional ou o motor. A partir daí, observar a predominância de um ego introvertido, extrovertido e ambivalente.


 


EXTROVERTIDO


AMBIVALENTE


INTROVERTIDO


MOTOR


8


9


1


EMOCIONAL


2


3


4


MENTAL


7


6


5


E o segundo passo, nesse sistema, é descobrir qual centro que negligenciamos e definir em qual dos nove pontos do eneagrama estamos fixados.


Tipo


Centro Principal


Centro Secundário


Centro Reprimido


1


MOTOR


EMOCIONAL


MENTAL


2


EMOCIONAL


MOTOR


MENTAL


3


EMOCIONAL


-


EMOCIONAL


4


EMOCIONAL


MENTAL


MOTOR


5


MENTAL


MOTOR


EMOCIONAL


6


MENTAL


-


MENTAL


7


MENTAL


MOTOR


EMOCIONAL


8


MOTOR


MENTAL


EMOCIONAL


9


MOTOR


-


MOTOR



RESUMOS DOS TIPOS ENEAGRAMÁTICOS

O Perfeccionista (tipo 1): tipo com preferência pelo centro motor (introvertido) que negligencia o centro mental. Fixação: É extremamente organizado e trabalhador, com padrões de exigências muito altos - nas áreas de seu interesse. Sério e sincero, procura ser independente dos outros e evita que os outros dependa dele. Estabelece fronteiras claras em relação aos territórios físicos e mentais, acreditando que é possível controlar todas situações através da organização. Paixão: valoriza a "moral e bons costumes", julga tudo e todos, muitas as vezes com críticas destrutivas. Quando as coisas não saem segundo seus planos ou ordens, explode em raiva irracional, por isso a 'Ira' foi o pecado capital escolhido para sua caracterização.

O Prestativo (tipo 2): tipo com preferência pelo centro emocional (extrovertido) que negligencia o centro mental. Fixação: Identifica-se facilmente com os problemas e com desejos alheios, tendo dificuldade de dizer 'não' quando se trata de ajudar alguém. Paixão: porém essa empatia afetiva nunca é verdadeiramente desinteressada, ao contrário faz parte de uma estratégia de manipulação que tenta fazer com os outros dependam de si. O 'número dois' dá, dá, dá ... para ser aceito. Em compensação, cuidam tanto dos outros que se esquecem de si e não se atem as suas próprias necessidades, desejos e anseios. Eles não precisam disso. E por isso o 'Orgulho' é sua característica principal.

O Bem Sucedido (tipo 3): tipo com preferência pelo centro emocional (ambivalente) que negligencia o próprio centro emocional. Fixação: Assim tem facilidade em disfarçar seus sentimentos verdadeiros (raiva, medo, ansiedade, etc.), usando várias máscaras (uma para cada ocasião). Por isso, também é chamado de 'Camaleão'. Quer ser admirada a qualquer custo e vê tudo em função dessa disputa por admiração e reconhecimento. Geralmente são pessoas exigentes e preocupadas em alcançar seus objetivos. Paixão: a 'Vaidade' ou capacidade emocional de falsificar a verdade a partir de realidades relativas e subjetivas, transferindo a responsabilidade de seus erros para os outros.

O Individualista (tipo 4): tipo com preferência pelo centro emocional (introvertido) que negligencia o centro motor. Fixação: Geralmente são pessoas muito sensíveis e com pouco contato com o mundo exterior, identificando e explicando melhor as coisas através de símbolos. Gosta de ser especial, única e singular, cultivando gostos diferentes e estranhos. Prezam o status social e tem carência de atenção; porém, ao mesmo tempo, que sentem superior aos outros, sofrem devido ao isolamento. Paixão: Têm uma tendência à depressão e à melancolia. Desejar é mais importante que possuir, pois tão logo conseguem o objeto de seus desejos, sentem-se frustrados. Por isso, a 'Inveja' é seu pecado capital.

O Observador (tipo 5): tipo com preferência pelo centro mental (introvertido) que negligencia o centro motor. Fixação: São pessoas extremamente objetivas e racionais, mas que têm certa dificuldade em relacionar-se com os outros. Pode ignorar facilmente as pessoas ao seu redor, incomodando-as. Gostam de se isolar para solver o conhecimento aprendido e detestam quando usurpam-lhes o tempo ou a liberdade com detalhes ou tarefas pequenas. Paixão: a Avareza. Porém, não se trata simplesmente de dinheiro, mas, sobretudo de tempo e de conhecimento. O ego do número cinco se recusa a dividir sua experiência de mundo, que acredita ser mais racionalizada do que a da maioria.

O Questionador (tipo 6): tipo com preferência pelo centro mental (ambivalente) que negligencia o próprio centro mental. Fixação: são pessoas que procuram ficar mentalmente ocupadas para não pensar. Daí serem tanto muito questionadoras (os 'advogados do Diabo') como também intuitivas. Paixão: O medo. Os ' número seis' são pessoas dependentes e inseguras, que precisam sempre de um referencial ( um chefe, uma instituição) como sustentação. Entre os mentais, são mais leais e confiáveis em relação aos preceitos de seu grupo do que aos amigos individualmente. Dividem-se em fóbicos (ou covardes assumidos) e contrafóbicos (aparentemente destemidos), que podem chegar a extremos.

O Sonhador (tipo 7): tipo com preferência pelo centro mental (extrovertido) que negligencia o centro emocional. Fixação: São pessoas sempre entusiasmadas e alegres, mas que alimentam muitas ilusões e fantasias. Na verdade, com essa 'inocência' o tipo número 7 evita entrar em contato com qualquer eventual dor ou sofrimento, só observando o lado bom dos acontecimentos e da vida. São, geralmente, oradores muito loquazes e manipuladores. Paixão: A gula, não apenas de alimentos, mas de pessoas, informações e aventuras. Os 'número 7' têm gula de qualquer coisa que lhe dê prazer.

O Confrontador (tipo 8): tipo com preferência pelo centro motor (extrovertido) que negligencia o centro emocional. Fixação: Pessoas que vêm o mundo em relação à justiça e poder, e se consideram capazes de dirimir e vingar suas injustiças. E muitas vezes cometem absurdos em nome dos desprotegidos que pretendem defender. Paixão: Buscam o confronto como forma de impor sua supremacia, muitas vezes por simples prazer. Gostam de conquistar mais e mais territórios e de serem vistos como pessoas fortes, capazes de proteger aqueles que os ajudarem. Nunca pedem perdão. A princípio, são sempre contrários a qualquer novidade.

O Pacifista (tipo 9): tipo com preferência pelo centro motor (ambivalente) que negligencia o próprio centro motor. Fixação: Este tipo se caracteriza por evitar os conflitos a todo custo. Ao contrário dos outros tipos motores (1 e 8) tem uma relação democrática em relação aos territórios físicos e mentais, tanto invadindo como deixando invadir seus domínios. São pessoas que não estabelecem fronteiras nem limites do espaço/tempo. Paixão: A Preguiça. Mas não a simples preguiça do ócio em relação ao trabalho. Trata-se aqui de uma indolência mental, de uma 'preguiça de ser', muitas vezes oculta sobre a capa de muitas atividades não essenciais. O pecado do pacifista é postergar coisas importantes.

Os tipos eneagramáticos são modelos ideais, generalizações abstratas de pessoas concretas e singulares, de uma gama gigantesca de fatores e traços culturais de várias épocas e locais (2). Podem-se ainda destacar três grandes contribuições de Naranjo ao Eneagrama:

A - A abordagem terapêutica e o papel de não-interferência do ministrante. Enquanto Gurdjieff (certamente um número oito) interagia instintivamente com seus discípulos através da confrontação, apresentando provas e exercícios segundo suas fixações; Oscar Ichazo se utilizava da técnica de diagnóstico autorizado, indicando o tipo de cada um dos seus alunos e clientes. Naranjo defende o autodiagnóstico, ou seja, cada um deve descobrir seu próprio tipo dentro do sistema de classificação supervisionado por simples coordenador. O papel de ministrante do Eneagrama evoluiu do guru espiritual para o psicólogo e deste para o facilitador terapêutico.

B - Uma teoria da neurose meta-instintiva, baseada em estratégias gerais de adaptação. Estabelecendo analogias entre a Protoanálise de Oscar Ichazo e outras tipologias psicológicas em uma única taxonomia científica, Naranjo construiu uma engenhosa ‘teoria da neurose e da degradação da consciência’. Freud construiu sua teoria da neurose a partir da idéia de repressão da vida instintiva, principalmente da sexualidade: a neurose era uma forma de sublimação patológica de nossos desejos. Para Naranjo, a neurose (ou a fixação em um ponto de recorrência) também se origina em uma experiência traumática a partir da qual se fixa uma reação obsoleta (um mecanismo de defesa recorrente) aliada à perda da capacidade de agir criativamente.

C – Naranjo, no entanto, reconhece a importância da vida instintiva sobre a formação das personalidades neuróticas e adiciona ao sistema do Eneagrama a idéia de que, independentemente do eneatipo, somos marcados por uma das três formas específicas de restrições instintivas que sofremos: a sexual (Freud), a relacional (Lacan) e a sobrevivência (Marx). Instintos desenvolvidos em relação ao Outro (e à natureza), aos outros (aos grupos) e ao próprio a si mesmo como indivíduo diante da sociedade.

Por mais consistente e interessante que seja a tipologia de Naranjo e o Eneagrama visto como um sistema de compulsões dos vícios e virtudes do ego, a tipologia psicológica fez com que o símbolo perdesse sua fluidez original e em seu conjunto cognitivo (a exemplo do que aconteceu também com a astrologia, com os orixás e outras mitologias tradicionais que se tornaram tipologias psicológicas modernas). Assim, não somos um único tipo. 'Estamos' um, sete ou três – dependendo da época, do local e das pessoas com as quais interagirmos. É comum, a pessoa ter um ponto de fixação no trabalho, outro em casa, um terceiro com os amigos.

Para recuperar a essência do Eneagrama é necessário retornar ao simbolismo original. Assim, retomando as idéias de Bennett (1999) e as recolocando em um contexto científico contemporâneo, desenvolvemos a noção de 'Bússola Complexa', como um modelo de sistema complexo, levando em conta tanto os aspectos dinâmico/sincrônico como os objetivo/subjetivos (3).

Sistema e Processo Circular

Bennett volta ao modelo gurdjieffiano de Eneagrama, anterior ao modelo tipológico, regido por duas leis: a lei dos três e a lei dos sete (ou lei da oitava).

A Lei dos Três (ciclos externos). Pela teoria do eneagrama devemos observar o movimento externo de um determinado acontecimento em três etapas sucessivas. Seguindo nosso exemplo de um eneagrama cognitivo: caso este movimento seja centrífugo e agregue energia ao sistema, teremos o padrão motor-emocional-mental, produzindo sentimentos; caso seja centrípeto, teremos um padrão em que o mental se antecipa ao emocional, gerando emoções. Os sentimentos brotam do corpo para o campo afetivo ou ‘coração’ (a tristeza, a alegria, por exemplo), enquanto as emoções são sempre racionalizações perniciosas, em que as imagens e os pensamentos antecedem o campo afetivo, porque drenam a energia e poder pessoal do guerreiro. Assim, não só emoções negativas (a raiva, o orgulho, a inveja, a vaidade), mas, sobretudo, a idéia de uma identidade interpretante do ego (a auto-importância) deve ser combatida com tenacidade.

A Lei dos Sete (ciclos internos). Seguindo o mesmo modelo circular de rotações opostas, o Eneagrama também descreve a ordem dos movimentos internos ao sistema aparentemente caóticos através da divisão da unidade pelo número sete e pela dízima periódica 1428571 ... E as somas sucessivas de sétimos reproduzem esse padrão complexo, mas começando com algarismos diferentes, correspondendo aos pontos internos do Eneagrama. Dessa foram, cada fração representa um dos pontos secundários do eneagrama e também o movimento entre eles, tanto no sentido horário quanto no anti-horário.


FRAÇÃO


NÚMERO


NOTA


7/7 =


1


DO


1/7 =


1428571 ...



2/7 =


285714 ...


MI


3/7 =


428571 ...



4/7 =


571428 ...


SOL


5/7 =


714285 ...



6/7 =


857142 ...


SI


A esse padrão complexo, Gurdjieff chamou de 'Lei da Oitava', em uma comparação explícita com as escalas musicais ascendentes e descendentes. Essas propriedades vistas em conjunto (a circularidade dos três pontos externos e o movimento interno das suas oitavas) formam o símbolo do Eneagrama. Ao contrário, muitas vezes a tendência à conservação de energia de um sistema é reacionária em relação às mudanças, enquanto os fatores caóticos e o ruído demandam uma desorganização necessária ao crescimento.

De modo que, além dos ciclos Virtuoso e Vicioso de três fatores exteriores e objetivos, o modelo do Eneagrama apresenta ainda a possibilidade de representação dos elementos subjetivos de diferentes agentes em cada ponto do processo, tanto no sentido horário como no anti-horário. É claro que, na prática, a realidade se constitui simultaneamente de tendências centrípetas e centrifugas.

Bennett tratava apenas de processos em que o fator tempo fosse contado de trás para frente, como um cronômetro, empresas de produto diário, por exemplo, padaria, bancos, jornais, em que os processos seqüenciais sejam orientados pela contagem regressiva do tempo, em processos cíclicos. Um exemplo clássico da aplicação do Modelo do Eneagrama como um sistema é o da 'Cozinha em funcionamento'.

Na 'cozinha pronta para funcionar' (ponto 1), atividade preliminar de organização de todas ferramentas necessárias para o início do processo, temos que antecipar o que vamos preparar (ponto 4) e como vamos servir (ponto 7). Já com a 'Cozinha em funcionamento' (ponto 2), mantemos nossa atenção no que estamos preparando (ponto 4), mas deslocamos nosso imaginação do aspecto formal da apresentação da comida para seu sabor, seu tempero, como ela será degustada (ponto 8).

A introdução dos Alimentos (ponto 3) corresponde ao início de uma nova oitava, além de dar seqüência ao ciclo já iniciado. Do mesmo modo a 'Preparação da comida' (ponto 4) é diretamente condicionada pela organização (ponto 1) e funcionamento (ponto 2) da cozinha; o cozimento dos alimentos implica em sua aparência (ponto 7) e sabor (ponto 8); e a introdução dos Comensais também nos remete ao início de um novo ciclo e na continuação dos ciclos precedentes. Aliás, é importante ressaltar que a Cozinha (ponto 9), os Alimentos (ponto 3) e os Comensais (ponto 6) são elementos externos fundamentais. Eles tanto representam a sucessão cronológica dos eventos como as diferentes equipes ou agentes no processo (ciclo dos ajudantes, ciclo dos cozinheiros, ciclo dos comensais) cada um guarda uma autonomia interna de processo, simbolizado por três oitavas secundárias).


 


SEQÜÊNCIA EXTERNA


RELAÇÕES INTERNAS


OITAVA


9


Cozinha


Três e Seis


Ciclo I


1


Cozinha pronta para funcionar


Quatro e Sete


Ajudante


2


Cozinha funcionando


Quatro e Oito


Ajudante


3


Alimentos crus


Seis e Nove


Ciclo II


4


Preparação da comida


Dois e Um


Cozinheiro


5


Cozinhar os alimentos


Sete e Oito


Cozinheiro


6


Os Comensais


Nove e Três


Ciclo III


7


Servir a refeição


Cinco e Um


Comensal


8


Comer a refeição


Cinco e Dois


Comensal


Assim, além do ciclo objetivo dos elementos exteriores, o Eneagrama apresenta assim a possibilidade de representação dos elementos subjetivos de diferentes agentes em cada ponto do processo. Pensemos, por exemplo, que ao ver e comer a refeição (pontos 7 e 8), os Comensais imaginam o trabalho dos cozinheiros (ponto 5) e dos ajudantes (ponto 1 e 2) da cozinha; e, a partir desses elementos subjetivos, reconstituem todo processo objetivo.

Além dessas relações externas cronológicas e seus insights circunstanciais, existe ainda uma grande oitava, representando o processo mental de planejamento geral de tudo que será executado. Esse ciclo é representado pela dízima: 1758241, ou seja, organizar a cozinha (1) pensando em servir a refeição (7); cozinhar os alimentos (5) pensando em comer a refeição (8); colocar a cozinha em funcionamento (2) pensando em preparar a comida (4); e, finalmente, limpar e arrumar novamente a cozinha (1). Mas, o Eneagrama é uma ferramenta, não apenas para medir a organização (a conservação de energia), mas, sobretudo, para localização do ruído e da entropia. Representamos esses fatores caóticos, que surgem tanto no ciclo objetivo quanto nos subjetivos, pelo movimento circular centrípeto.

No aspecto ternário objetivo, equivaleria aos Comensais (ponto 6, fator mental) serem introduzidos no processo antes dos Cozinheiros (ponto 3, fator emocional), que chegaram atrasados. Esta inversão dos fatores mental e emocional sempre caracteriza objetivamente o círculo vicioso. E no aspecto subjetivo, o pensamento de um pessimista crônico seguiria o modelo 1428571, ou seja, uma organização inadequada na cozinha (1) atrapalha a preparação da comida (4); isto certamente também prejudica o funcionamento correto da cozinha (2) e a própria refeição (8); uma vez que atrasa o 'cozinhar os alimentos' (5) e o 'servir a refeição' (7). Depois de tanta bagunça resta ainda limpar tudo e arrumar novamente a cozinha (1). Neste exemplo, Bennett elabora todo um jogo de relações que podemos retomar agora para um modelo de Eneagrama como um sistema complexo e não apenas como uma metodologia de análise sistemática de processos circulares.


CICLOS


Virtuoso


Vicioso e/ou Criativo


OBJETIVO


9-3-6-9


9-6-3-9


SUBJETIVO


1-7-5-8-2-4-1


1-4-2-8-5-7-1 



Quando os fatores causais resultarem em uma concentração de energia do sistema dizemos que eles giram para dentro, no sentido horário; em contrapartida, quando os fatores causais se retroalimentarem de forma a provocarem expansão e a crescente perda de energia do sistema, dizemos que eles giram para fora, no sentido anti-horário. Chama-se de Círculo Virtuoso todos os ciclos centrípetos que se aperfeiçoa, que busca a excelência, dentro de determinadas regras e situações dadas, e de Círculo Vicioso (ou de Círculo das Paixões), aqueles ciclos centrífugos que não se desenvolvem dentro das condições determinadas e que permanecem em condição de estagnação. Os Círculos Criativos, ou auto-poéticos, são os ciclos centrífugos que, ao invés de simplesmente aceitar ou negar as condições pré-estabelecidas, as modificam, instituindo assim uma nova ordem a partir do ruído.

A diferença entre a Sistemática de Bennett e a abordagem fundamentada na complexidade é que qualquer processo é passível de análise e que passa-se de um contexto voltado para engenharia mecânica para um paradigma preocupado com a dissipação de energia. Também é importante compreender que nem sempre fatores restritivos e entrópicos são maléficos e fatores sinérgicos, benéficos. Ao contrário, muitas vezes a tendência à conservação de energia de um sistema é reacionária em relação às mudanças, enquanto os fatores caóticos e o ruído demandam uma desorganização necessária ao crescimento.

Mas, feitas essas observações, transpostos os cenários dos tempos da sistemática para o da complexidade, voltemos ao foco cognitivo do Eneagrama, representando os dois ciclos contrários de ordem e ruído pelos nomes de:

• O Caminho dos Sentimentos – Ciclo centrípeto ou de conservação de energia: OBJETIVO (9-3-6) e SUBJETIVO (1-7-5-8-2-4-1). No movimento centrípeto há um caminho ético - em que a relação consigo mesmo, com o corpo e com o meio ambiente (ou ‘o lado de fora’ - 8, 9 e 1), desperta a relação com o Outro (ou ‘o lado de dentro’ - 2, 3 e 4) e com os outros (ou as ‘formas discursivas’ - 5, 6 e 7).

• O Caminho das Emoções – Ciclo centrífugo ou de dissipação de energia: OBJETIVO (9-6-3) e SUBJETIVO (1-4-2-8-5-7-1), subdividindo esse último em emoções reativas e criativas, pois, além de seu caráter destrutivo, o ruído e suas desorganizações são essenciais para mudanças de padrões e para o desenvolvimento de autonomia. Nesses dois tipos de movimento centrífugo há um caminho moral, em que a relação com o grupo antecedesse a relação com o Outro individual. Sendo que, o comportamento reativo é se observar o lado de fora através de um filtro cultural, enquanto o criativo compreende seus sentimentos e o mundo através das formas discursivas.

Ambas as atitudes são morais, pois o subjetivo antecede o objetivo. A diferença está em se estar consciente das emoções ou vive-las (na verdade, sofre-las) involuntariamente.

Eneagrama e Castaneda

A partir do modelo do Eneagrama também é possível definir a Arte da Espreita matematicamente como um giro anti-horário 6-3-9 e a Arte do Sonhar como um giro horário 3-6-9; ou mesmo, adotar um enea-círculo para cada movimento - sendo que a Espreita começa na mente (6,666) e o Sonhar, no coração (3,333).

O Circulo da Espreita, de giro centrípeto, representa a luta criativa contra os círculos viciosos e nossa capacidade de fixar o ponto de aglutinação da percepção através do campo da cognição ordinária, também chamada de primeira atenção ou tonal (6 = pequeno tirano, 3 = não-fazer, 9 = recapitulação).

E Circulo do Sonhar é virtuoso, isto é, de giro centrifugo (3 = sonhos lúcidos, 6 = o duplo sonhador, 9 = salto para o infinito) e consiste na capacidade de deslocar o ponto de aglutinação da percepção através do campo da cognição extra-ordinária, também chamada de segunda atenção.

Armando Torres chama a atenção para a Arte do Intento (a arte da manipulação consciente dos desejos) como um domínio intermediário entre o Sonho e a Espreita. O “domínio do intento” ou “o ponto zero do horizonte vertical” é a percepção entre os objetos e a energia. Fixar a percepção neste ponto permite entrever o vazio e o silêncio sem perder de vista a ordem do tonal, como um mundo de polaridades entre a realidade das coisas e o universo das relações. Se o nagual ou universo de relações corresponde ao infinito transcendente (ponto 3,333 ...) e o tonal, sua duplicação, o infinito imanente (ponto 6,666), então o ponto 9,999 é o ponto da loucura controlada, isto é, o infinito visto como polaridade.

O ponto zero é o centro do círculo, infinito total, o não-ser. a diferença entre o grau zero (o nada) e o ponto 9,999 (ou quase nada) é a mesma entre a loucura e a loucura controlada. Se tomarmos a Espreita e o Ensonhar como dois movimentos circulares polares (e também em suas formas reduzidas como loucura controlada através de disfarces e sonhos lúcidos) pode-se colocar todas essas práticas no modelo do eneagrama em dois grandes ciclos objetivos.


 


TONAL –
ESPREITA


NAGUAL - ENSONHAR


1


Inventário


Perder a forma humana


2


Não-fazer


Reinos Inorgânicos


3


Loucura Controlada


Sonhos lúcidos


4


Silêncio Interior


Aliados


5


Técnicas de
Observação


Ver


6


Pequeno Tirano


Duplo Sonhador


7


Passes mágicos


Voar


8


Disciplina e Impecabilidade


Achar as mãos


9


Recapitulação


Salto para o Infinito



No Ciclo da Espreita, começa-se fazendo o inventário (1) das ações e pensamentos que gastam energia desnecessariamente. O segundo passo é simples: não fazer (2) essas ações e economizar esta energia. A Loucura controlada (3) é arte dos disfarces e das mudanças para atitudes contrárias as habituais. Após, subtrair os hábitos e ações dissipativas de energia, o praticante da espreita deve agora adotar comportamentos contrários aos que adquiriu no decorrer de sua vida. A Espreita é uma arte em que o ego é a presa e a consciência, a caçadora.

Assim, além das mudanças comportamentais é preciso desenvolver um profundo silêncio interior (4) e várias técnicas de observação (5) para compreender os movimentos da presa e planejar o desenvolvimento de uma estratégia. O Pequeno Tirano (6), isto é, a autoridade e o poder de alguém sobre o praticante, é a forma mais eficaz de disciplinar o espreitador. Para vencer esta relação e chegar ao seu desenvolvimento ótimo, o guerreiro precisará do máximo de energia, obtido através da prática dos passes mágicos (7) e da impecabilidade em todas as suas ações (8). A Recapitulação (9) coroa todo processo.

Já no Ciclo objetivo do Ensonhar, começa-se achando as mãos ou o ponto abaixo do umbigo (8) durante o sonho (na verdade, achando a motricidade do sonhar). Em seguida, naturalmente, sonhador começará a voar (7). Perceberá então que possui um corpo sonhador (6) e que pode Ver (5) o universo como energia em movimento. Para consolidar sua situação, o sonhador precisará de Aliados (4), seres que podem ajudá-lo a expandir ainda mais sua consciência em troca de energia. Com o tempo também terá Sonhos Lúcidos (3), isto é, sonhos durante o estado de vigília e viajará pelos Reinos Inorgânicos (2), até perder definitivamente a forma humana (1) e saltar irreversivelmente para o Infinito (9).

E os ciclos subjetivos? Representados pela seqüência 1-4-2-8-5-7-1? Através da analogia entre cinema e percepção de Maharshi, vamos observar o processo cognitivo no sentido descendente e por dentro através do Eneagrama. O místico Ramana Maharshi (1972) acredita na eternidade da alma, ao contrário de Castaneda e Gurdjieff, mas enfatiza a idéia de auto-inquirição como uma forma de autoconhecimento capaz de levar a construção de uma nova identidade espiritual. “Quem sou eu? Quem é este que pergunta? E este terceiro que questiona sobre o primeiro perguntador?” Deus, a realidade e tudo mais é maia, só há o eu superior (em um sentido de Self, ou de eu construído pela auto-inquirição). Há uma interessante analogia entre o cinema e a percepção humana estabelecida por outro autor, Maharshi, que ilustra bem este processo neurolingüístico de ênfase no sujeito cogniscente.

Em um primeiro momento (correspondente ao ponto 1 do eneagrama), a consciência é a percepção. Representa a luz que será projetada sob diferentes objetos. Se prestarmos atenção ao que vemos, os olhos se iluminam; se buscarmos perceber os sons, a consciência se focará em nossa capacidade auditiva; e assim por diante. Nesta analogia, a consciência é um brilho que se desloca segundo nossa percepção seletiva.

Mas, quem é consciente? Assim, como a luz é produzida por uma lâmpada, a consciência é produzida por uma esfera luminosa, também chamada em outras tradições de Self, Eu superior ou centelha divina. E esta é o segundo momento (ponto 4) da comparação de Mararshi: para se perpetuar, ao invés de apenas brilhar alternadamente sobre diferentes objetos, a consciência precisa construir seu suporte: o eu superior.

O terceiro momento (ponto 2) desta analogia consiste na lente que a luz da lâmpada transpassa na projeção de um filme e a mente coletiva e externa por onde consciência do self passa ao perceber as diferentes dimensões (racional, sentimental, sensorial) da realidade. A mente aqui não é individual, mas um filtro social, culturalmente construído.

Os fotogramas do filme projetado no cinema correspondem às variadas formas mentais (arquétipos, memórias, imagens) que formam o pensamento - na quarta etapa da analogia (ponto 8). Também aqui não há individualidade: o pensamento é coletivo e externo ao processo cognitivo.

No quinto passo (ponto 5) da analogia, no entanto, surge a comparação entre a projeção do filme e o "Observador", isto é, um eu-foco formado para observar o pensamento, a mente e as percepções da consciência. Este observador é um determinado enquadramento autoconsciente que criamos para nos tratar na terceira pessoa e existe em várias meditações. No sistema de Castaneda, observador corresponde à distinção entre espreitador e presa. A realidade que percebemos é semelhante a projeção das imagens na tela do cinema.

Ou simplesmente: a tela é a realidade que vemos neste sexto momento da percepção. A diferença é apenas no modo de representação: no cinema as imagens são bidimensionais e a realidade é holográfica (e sólidas). Mas, também, tanto no cinema como na percepção, há vários tipos de imagens segundo uma variedade de fatores. As imagens de referências externas (sensoriais, mentais, emocionais); há imagens produzidas pela memória, outras pela imaginação.

O sétimo nível da percepção (e também ponto 7 no ciclo subjetivo do eneagrama), então, é esta interpretação seletiva das imagens, uma determinada descrição subjetiva da realidade em que classificamos involuntariamente os diferentes itens de nossa percepção.

E finalmente, há o mecanismo responsável pela projeção das imagens, a máquina ou o Eu Inferior (retorna ao ponto 1). Este mecanismo recebe as imagens automaticamente e não tem consciência plena de seu significado. Apenas através da progressiva desmecanização e do desdobramento de sua atenção em diferentes níveis de consciência poderá compreender as imagens emanadas da fonte de luz e qual nosso papel em relação a todo processo.


 


CINEMA


PERCEPÇÃO


1


A
luminosidade acessa ou ausente.


A
consciência


4


A
lâmpada no interior do equipamento


O Eu
superior, self ou esfera luminosa


2


A
lente diante da lâmpada


A mente
pura (sattvic)


8


O
filme, os fotogramas


O
fluxo das tendências latentes


5


A
lente, a luz que a atravessa e a lâmpada formando a luz em foco


A
mente, sua iluminação e o eu superior, formam juntos o
observador ou jiva


7


A luz que
atravessa a lente e ilumina a tela


A luz
do eu superior emerge da mente através dos sentidos e ilumina o mundo


1


Os
vários tipos de imagem na tela


Varias
formas e nomes, que surgem como objetos percebidos à luz do mundo.



Há atualmente várias iniciativas teóricas interessadas em integrar o Eneagrama com os modelos da SDI e dos Quadrantes (que veremos a seguir) em supermodelo metateórico. Para nós, no entanto, o importante é colocar a hipótese da simetria cognitiva, isto é, da simetria entre tonal e nagual, entre a realidade sensorial e a realidade sonhada, entre a cognição ordinária e a extraordinária.

NOTAS

(1) Nesta lógica, aqueles que não conseguem chegar a estágios de consciência superiores, capaz de produzir essa refinada substância alquímica (muitas vezes comparadas aos sentimentos nobres como o amor) terão seus espíritos fatalmente reabsorvidos pela Lua, serão ceifados como árvores estéreis pelo universo. Gurdjieff cultivava a idéia de que apenas através do desenvolvimento pode o homem escapar da morte eterna.


(2) Questionários de tipo: < http://www.fredport.com/enea.htm>

(3) As idéias de Bennett & Blake sobre o eneagrama, a Sistemática, v. em: < http://duversity.org/ >


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENNETT, J. G. O Eneagrama - um estudo pormenorizado do eneagrama usado Gurdjieff para simbolizar o trabalho da consciência tanto na vida diária como nos níveis esotéricos. São Paulo: Ed. Pensamento, 1999.

CHABRENIL, P. & F. A Empresa e seus colaboradores - Usando o Eneagrama para Otimizar Recursos. São Paulo: Editora Madras, 1999.

GOMES, Marcelo Bolshaw. Um Mapa, Uma Bússola – Hipertexto, Complexidade e Eneagrama. Rio de Janeiro, Editora Mileto, 2001.

NARANJO, C. Os Nove Tipos de Personalidade - Um estudo do caráter humano através do Eneagrama. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 1996.

OUSPENSKY, P. D. Fragmentos de um ensinamento desconhecido - Em busca do milagroso. Coleção Ganesha. São Paulo: Pensamento, 1980.

______Psicologia da Evolução Possível ao Homem. São Paulo: Pensamento, 1986.

PALMER, H. O Eneagrama: compreendendo a si mesmo e aos outros em sua vida. São Paulo: Edições Paulinas, 1993.

3 comentários:

  1. Olá! Tenho estudado Pathwork há um ano. Participo de um grupo na cidade em que moro, e temos reuniões semanais. De acordo com estes estudos, consegui identificar o meu tipo de personalidade. Sou o tipo emocional tipo 4 e social. Eu tenho 27 anos e faz um tempo que estou procurando maneiras de mudar a minha rotina de vida para melhorar a minha saúde. Confesso-lhe que tem sido muito difícil, ainda não consegui transformar o ciclo vicioso e um ciclo virtuoso. Quebrar e romper com a forma de pensar e agir tem sido muito difícil. Encontrei seu blog através do Google, numa mais outra tentativa de sair desse ciclo vicioso que tem atrapalhado muito a minha vida. Procuro ler coisas que possam me trazer conhecimento para atuar internamente em mim e assim melhorar e conseguir ter uma vida mais "normal". O estudo que faço em grupo é acompanhado com o livro de Eva Pierrakos sobre Pathwork. O tipo 4 social tem o "motor" como sendo o instinto menos trabalhado, e tenho compreendido que preciso ativar o "motor" para as coisas entrarem em uma maior sintonia na minha vida. Obrigada por compartilhar essa leitura, tive a oportunidade de ler coisas que não conhecia e essa leitura me proporcionou melhoras e sentimento de esperança, de que posso melhorar. Abraços.

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