domingo, 30 de novembro de 2014

Estudos Cabalísticos




1. A Árvore da Vida
Mircea Eliade (1993, 213-265) demonstra a universalidade do simbolismo vegetal da Árvore da Vida em diferentes mitologias: como árvore da imortalidade e da regeneração, como árvore-imagem do cosmo, como altar ao ar livre, e, finalmente, como Axis Mundi, um centro do mundo e suporte do universo, em que o tempo se verticaliza permitindo a passagens para outros mundos, seja infernal ou celestial.
A árvore cabalística, no entanto, é a mais complexa e abrangente de todas essas representações. A Árvore da Vida é um diagrama da estrutura do universo da cabala hebraica de tempos imemoriais, que os ocultistas e bruxos dos séculos XIX e XX transformaram em um eixo arquetípico vertical, um centro simbólico sobre o qual se organizam os diversos níveis da manifestação. A árvore, nesta versão, não forma um sistema fechado; ela é um método de correspondência universal ou uma chave analógica para decifrar outros sistemas simbólicos.
Segundo a tradição, a árvore cabalística foi ensinada pelos anjos aos homens para que eles conseguissem voltar ao paraíso primordial. Para outros, ela foi recebida por Set, o terceiro filho de Eva; ou também entregue a Abraaão por Melkisedk. Há também versões de que ela diretamente ditada por Jeová a Moisés, durante os 40 dias no monte Sinai. Do ponto de vista histórico, no entanto, sabemos que o símbolo da árvore cabalística, como tradição oral do misticismo hebraico, data da época do segundo cativeiro babilônico, sendo uma espécie de adaptação do simbolismo astrológico dos caldeus ao monoteísmo judaico. Por muitos séculos, ela foi transmitida oralmente como um tipo de exegese mística do Torah até que, por volta de 100 d.C., surgiram o Sepher Yetzirah e o Zohar – livros tradicionais que tratam do diagrama da árvore. Desde então, a árvore cabalística teve vários ciclos distintos dentro da tradição judaica, com características bastante diferentes (o ciclo mágico da floresta negra, o ciclo filosófico especulativo da Espanha no século XII, o ciclo monástico de Safed dirigido por Isaac Luria), mas só se popularizou quando foi apropriada e universalizada pelos ocultistas nos séculos XIX e XX (principalmente Eliphas Levi e Alesteir Crowley). 
Muitos cabalistas da tradição hebraica criticam a apropriação feita da Árvore da Vida pelos ocultistas. Mas a verdade é que, se os esotéricos beberam na tradição hebraica para elaborar sua própria versão universalista do simbolismo tradicional, o misticismo judaico também se reciclou e influenciou com a abordagem ocultista e, mais recentemente, com o desenvolvimento da psicologia analítica. Um exemplo atual desta recíproca é Z’ev Ben Shimom Halevi (1992), um cabalista genuinamente hebraica fortemente influenciada pelo esoterismo e por Jung.
No diagrama da árvore, as dez Sephiroth (plural de Sephirah) são esferas de energia em que a manifestação se desenvolve. Cada sephirath está contida na anterior e contem, em si, a possibilidade da próxima.
A Árvore da Vida
Kether ­ A Coroa, onde o Incognoscível se manifesta como uma luz estática e apolar, a chama eterna da vida, o centro de todos os círculos. O ponto.
Chokmah ­ A Sabedoria corresponde à luz que entra em movimento e se torna uma força cinética. É representado geometricamente pela reta ou pelo círculo. É a primeira expansão do universo e está no topo da coluna da misericórdia.
Binah ­ A Inteligência, onde a força encontra resistência ao seu movimento e gera a forma, representada pelo triângulo ou prisma. É a primeira contração do universo e está no topo da coluna da severidade.
Cheseed ­ A Bondade, esfera onde, equilibrando as restrições impostas pela forma, a manifestação se realiza através da misericórdia divina. É a segunda expansão do universo. Essa esfera é simbolizada pelos deuses jupiterianos, como Zeus e Xangô.
Geburah ­ A Severidade, esfera onde a força, seja física ou moral, se manifesta com energia e impetuosidade. É a segunda contração do universo. É simbolizado pela Espada e pelos deuses guerreiros, como Ares e Ogum.
Tiphareh ­ A Beleza, esfera que harmoniza a contradição ética entre a severidade e a clemência. Ela é geralmente representada pelos deuses solares e redentores, que se sacrificam em benefício ao Todo.
Netzach ­ A Eternidade, esfera que representa os sentimentos e os instintos, o fogo sexual e o planeta Vênus. É a última expansão do universo.
Hod ­ A Reverberação, esfera que representa o pensamento consciente e a mente concreta e o planeta mercúrio, e é a última contração do universo.
Yesod O Fundamento, esfera que representa a Lua e a essência da vida orgânica, o duplo­etéreo.
Malkuth ­O Reino, esfera que representa a essência inorgânica da materialidade, a imagem sensorial da realidade, o planeta Terra, o corpo físico concebido dentro do mundo material.

Temos, portanto, uma série de dez círculos concêntricos, uns dentro dos outros, mantendo uma relação de polaridade em função à esfera anterior que o engloba e também em função à esfera que o contem em seguida. E esse conjunto de círculos pode ser disposto de vários modos.
As disposições ‘por três colunas’ verticais (a severidade ou contração, o equilíbrio e a graça ou expansão) ‘por três tríades’ horizontais (um triangulo voltado para cima e dois para baixo) são as mais comuns e dão ao iniciante uma visão do funcionamento geral da árvore como símbolo integrado de outros símbolos.
Nessa disposição, os mundos cabalísticos aparecem como níveis: o primeiro triângulo, o voltado para cima, está no mundo das emanações arquetípicas; a segunda tríade, o primeiro triângulo invertido, representa o reflexo do primeiro mundo da criação, governado por Arcanjos; e a terceira tríade corresponde ao um segundo reflexo da eternidade no mundo das formas, em que habitam os anjos e outras criaturas. Nessa disposição, o mundo material corresponde à décima esfera (Malkuth), o reino.
Também é bastante comum a disposição das esferas uma tríade superior e sete esferas inferiores: enquanto as três primeiras Sephiroth (Kether, Chokmah e Binah) formam um conjunto denominado ‘rosto maior’, formado pelas três causas primárias; as outras Sephiroth, por sua vez, formam o ‘rosto menor’ e as sete causas secundárias – o Menorah, o castiçal de sete velas.
Imaginemos que desejamos fazer um bolo. Este motivo, quando vem à mente, equivale à primeira tríade, onde Kether representa o desejo, Chokmah, à ideia, e Binah, a sua imagem formal. Porém, o bolo só sairá da imaginação para a realidade se cruzar o abismo, chegando ao sétimo nível de materialização: Cheseed corresponderá à escolha dos ingredientes; Geburah, ao esforço necessário à preparação da massa; Tiphareh, ao equilíbrio entre a quantidade dos ingredientes e sua correta preparação; Netzach, ao toque artístico necessário e à intuição; Hod, às instruções técnicas da receita; Yesod, ao cozimento no forno; e, finalmente, Malkuth, à forma final do bolo, à sua materialidade.
Além dos processos descendentes e materializantes que baixam da luz para concretude, a que se chama 'criativos'; existem os processos 'evolutivos', que partem da matéria em busca de uma realidade mais sutil. Os ocultistas chamam o sentido ascendente da árvore de ‘O Caminho da Serpente da Sabedoria’ e o sentido descendente de ‘O Caminho da Espada Flamejante’.
A árvore cabalística representa este duplo circuito dos processos criativos e evolutivos. As sephiroth ou esferas de manifestação funcionam como ‘transistores’ deste circuito, unidades que recebem e emitem energia transformando suas características. Os cabalistas analisam todos os fenômenos à luz destes critérios, reduzindo-os sempre aos mesmos elementos, as dez esferas da manifestação.
Pode-se ascender pela Árvore de dois modos: o caminho do místico, em que o aspirante se eleva verticalmente chegando ao Deus imanifesto, ao nada; e o caminho do feiticeiro, em que o neófito ascende, em um zig-zag lento e tortuoso, através dos diferentes aspectos da manifestação, as forças da natureza. O místico se funde com o nada que há por trás de todas as coisas; o feiticeiro combina todas as coisas manifestas segundo sua energia para realizar as operações necessárias ao seu desenvolvimento e de sua comunidade.
O místico ascende à divindade através do pilar central da Árvore da Vida, o caminho do renunciante; enquanto o feiticeiro deve oscilar através dos pilares laterais, os eixos da bondade e da severidade, alternando uma rigorosa disciplina espiritual ao exercício da generosidade e da gratidão. Quando se diz que o místico 'sobe a árvore' pelo pilar central, significa que o neófito controla os instintos do corpo (Malkult), domina os desejos da alma (Yesod) e chega ao coração de self (Tiphareh), ele precisa ainda cruzar o grande abismo para se integrar à luz (Kether) e sumir no Ain Soph (o 'sem fim'). Em contrapartida, o feiticeiro, subindo a árvore lentamente pelos lados, oscilando entre os pilares do karma e da graça, dominando as sete forças da natureza; para em um segundo estágio, ser capaz de interagir com a tríade superior: a forma, a força e a luz.
Na árvore, o conhecimento é o casamento da sabedoria com a inteligência: Daath, a sephirah invisível, que fica no centro superior da Árvore. A esfera de Daath fica no pilar central do equilíbrio, abaixo da coroa de Kether (a luz) e a cima da esfera solar de Tiphareh (a beleza, o self). A esquerda, no alto do pilar da severidade, está Binah (a inteligência); e a direita, no alto do pilar da generosidade, está Chokmah (a sabedoria). Daath representa o fruto proibido.
Na tradição ocultista, tanto os místicos como os feiticeiros, antes de cruzar o portal de luz de saída do universo manifesto para o nada devem se iniciar na esfera do Conhecimento. Caso o neófito se deixe atrair pela inteligência do lado esquerdo, perderá a sabedoria e se tornará cruel e cínico.
Por outro lado, caso ele se deixe levar pela esfera da sabedoria, perdendo a sagacidade e a esperteza, poderá enlouquecer.
Na cabala, Deus é o nada absoluto existente por trás da manifestação. A Luz (Kether) é relativa, a manifestação primordial, mas não é transcendente e sim imanente, está ‘dentro’ das esferas seguintes, cada vez mais exteriores.
A imagem de uma cebola com várias cascas é representa essa concepção de universos embutidos em camadas sobrepostas, em que a luz imanente é a semente; e a casca mais externa, o mundo material.
Há também o importante símbolo da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, reflexo invertido da Árvore da Vida. Na estória de Adão e Eva, a árvore proibida era essa árvore secundária e não a Árvore da Vida, ambas ficavam no centro dos jardins do Éden. Sendo que a Árvore da Vida está no mundo das emanações arquetípicas; e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal está invertida, de cabeça para baixo, com suas raízes brotando dos céus e que seus galhos mergulhando nas dimensões mais densas: nos mundos espiritual, astral e material.
2. A Escada de Jacó
Eliphas Levi, pseudônimo do padre Alfonsé Louis Constant, foi o primeiro ocultista a interessar pela Cabala hebraica em l856 e associou-a ao baralho de Tarô. Para o ocultista, os arcanos maiores do Tarô correspondem às 22 letras do alfabeto hebraico e aos caminhos subjetivos que interligam as esferas. Além disso, Levi associou também os quatro naipes do baralho aos quatro mundos cabalísticos, relacionando as suas 16 cartas de figura ao Tetragrama Sagrado (o ‘IHVH’) e as suas 40 cartas numeradas às 10 esferas da Árvore da Vida. Haveria, portanto, quatro árvores de dez esferas cada. O número quarenta representa a totalidade da existência e da experiência humana. Os períodos medidos por este número são frequentes na tradição judaico-cristã: os 40 dias do dilúvio de Noé, os 40 anos durante os quais os israelitas erraram pelo deserto, os 40 dias que Moisés passou no Sinai, os 40 dias do jejum de Cristo, entre outros. Todas essas experiências têm o mesmo significado: a reintegração mística com Deus às viagens empreendidas por Enoch através dos palácios celestiais que antecedem o trono do Altíssimo onde Criador e Criatura se encontrarão frente a frente.
Shimon Halevi estabelece uma relação diferente da expressa pelo número quarenta, mais complexa e desigual, entre os quatro mundos cabalísticos e as árvores da Vida e do Conhecimento entrelaçadas.
A primeira árvore também é chamada de Adão Kadmo, e suas emanações arquetípicas correspondem a partes do seu corpo. Assim, a sexta esfera da Árvore da Vida (o Self cósmico) corresponde ao plexo solar do Adão Kadmo e à primeira esfera da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (as portas dos Jardins do Eden).
A décima esfera do mundo arquetípico (os pés do corpo espiritual do Adão Kadmo) corresponde à sexta esfera do segundo mundo (Self universal da humanidade) e à primeira esfera do mundo astral (ponto que corresponde ao mito da torre de Babel).
O mesmo esquema se repete em relação ao quarto mundo: a primeira esfera do mundo material (a glândula pineal) coincide com a sexta do mundo astral (o Self cultural coletivo) e com a décima do terceiro mundo (o corpo emocional). Além disso, a última esfera do mundo astral (o corpo sonhador) coincide com a sexta do mundo material (o Self individual). E esse conjunto simbólico, a passagem do terceiro mundo para realidade material, é que está associado, na cabala, à terceira queda da humanidade, ao evento do dilúvio e ao desequilíbrio elemental desencadeado pelo uso do fogo como tecnologia de guerra.

3. O Tetragrama IHVH
A lenda conta que quatro grandes rabis (Akiva, Ben Zoma, Ben Azai e Aher) se dedicaram a estudos esotéricos e “entraram no paraíso”. A estória afirma que “Aher viu e morreu; Bem Azai viu e perdeu a razão; Ben Zoma viu e corrompeu-se. Apenas rabi Akiva entrou e saiu em paz”.

Há várias interpretações diferentes do significado e do papel do sagrado nome de Deus (IHVH) dentro da cabala hebraica. O nome Jeová deriva do anagrama, cuja pronúncia correta teria sido proibida no passado, uma vez que seria capaz de invocar a presença do Altíssimo. Uma das interpretações possíveis sugere que o Tetragrama (formado pelas letras hebraicas Iod, He, Vau e novamente He) resume um método de subida pela árvore, que é basicamente formada por tríades de esferas concêntricas.
Segundo o Zohar há quatro níveis de decifração hermenêutica no estudo das Sagradas Escrituras: PESCHAT ou sentido literal; REMEZ ou sentido alegórico; DERASCHÁ ou sentido tradicional; e SOD ou sentido místico. Porém, este método de extração do sentido através de quatro leituras sucessivas é bem mais antigo. Ele já era utilizado por Filon de Alexandria, por volta do ano zero, na tradução do velho testamento para o grego. O Hermeneuta (GOMES, 1996) atualiza e redefine este método de interpretação através de quatro leituras para o ambiente das ciências humanas atuais: a leitura literal (objetiva), a alegórica (simbólica), a tradicional (contextual) e mística (ou teatral). 
·         No primeiro nível, tratamos a linguagem como objeto: como uma ‘realidade concreta’, como algo tátil, material, que produz uma sensação, que tem um peso e uma quantidade, como algo que tem um cheiro. É a linguagem em suas dimensões física e biológica. Neste primeiro momento, deve-se esquecer do conteúdo e medir as formas destes discursos de um ponto de vista quantitativo. Também neste nível observa-se o que o discurso quer dizer literalmente, o que ele significa do ponto de vista de quem o proferiu, ou seja, como ele foi ‘codificado’. Neste nível de decifração, estuda-se o aspecto material e o aspecto de significação intencional consciente de uma linguagem determinada: O QUE e COMO os discursos se realizam.
·         No segundo nível, a linguagem é vista subjetivamente como a expressão de uma consciência humana. Assim, o segundo procedimento de nossa pesquisa é discutir o conteúdo dos discursos. O QUEM e O PORQUÊ da comunicação, os interlocutores e a ‘causalidade’ da linguagem. Situar-se em um universo de perpétua transformação exige do ser humano uma constante adaptação ao meio ambiente e a transmissão desta experiência entre grupos e gerações. E nesse nível de leitura, os discursos não são meras representações do real, mas também são mensagens involuntárias.
·         No terceiro nível, trata-se de observar os rituais que perpetuam a linguagem. É o discurso reduzido aos seus verbos, às suas paixões, à ação histórica e suas ressonâncias intersubjetivas. Ocultas pelas realidades física e subjetiva dos discursos surgem as estruturas inconscientes de repetição da linguagem. A relação entre a forma imposta pela transmissão e os múltiplos conteúdos percebidos do discurso, entre o aspecto físico e o psicológico da linguagem, é sempre histórica e faz parte de uma tradição determinada socialmente. Assim, o terceiro procedimento de nossa pesquisa consiste em determinar o ONDE e o QUANDO dos discursos, em localizar e entender o discurso dentro do quadro histórico em que ele está inserido.
·         No quarto nível de leitura, a linguagem vive no espírito dos seus discursos, na experiência existencial que eles transmitem, nas suas diferentes respirações frente à morte. O sentido aqui é trágico, não reativo, para além da representação: um sentido que apesar de partilhar o drama não encena seu sofrimento. Neste nível, a intensidade e a duração interrogam sobre o ritmo, a respiração e sobre a consciência que o discurso tem de si. Acima de todas as formas, além de todas as ideias e paixões, os discursos têm um significado existencial, um sentido revivido pela experiência humana cravada nas profundezas inconscientes, onde se, descobre o aspecto universal da linguagem entre as aparentes diferenças culturais. Zeus, Júpiter e Xangô são diferentes representações históricas do arquétipo da justiça, que tem suas raízes em um dispositivo psicológico que equilibra transgressão e culpa.

Pode-se dizer, seguindo a lenda dos quatro rabis e o método das quatro leituras, que a palavra mata, o símbolo enlouquece, o exemplo perverte e apenas o arquétipo realmente explica a linguagem, pois ao comparar o real ao ideal, revela como a realidade extrapola seus modelos. Mais que um conjunto de leituras e procedimentos técnicos sobre decifração de códigos, o método das quatro leituras tem por objetivo a compreensão de si e dos outros, que pode ser aplicado à Árvore da Vida, à Escada de Jacó e não apenas às Escrituras.
A imagem de Jesus Cristo (o arquétipo do solar, Tiphareh), por exemplo, pode ser vista como um fato histórico, como um símbolo de sacrifício e renúncia ou como um elemento ideológico de uma religião, mas só fará sentido se for vivido como uma experiência do Self. Se o sacrifício pessoal for vivido e compreendido como uma experiência do Self, a pessoa poderá então se defrontar com a própria violência represada pelas limitações e restrições do mundo. Chegará assim à esfera do arquétipo do guerreiro (Geburah), centro da agressividade e resistência. Ser guerreiro significa disciplinar a própria força e é uma necessidade da vida, vivida como uma aventura heroica e profissão real; que só faz sentido ao ser reinventado no cotidiano. Ao viver e superar os desafios da esfera solar e da esfera de marte, o sacrifício e a disciplina, o aprendiz poderá se defrontar com a esfera da autoridade. O arquétipo do pai e o complexo de Édipo (representados pela esfera de Cheseed) são simultaneamente uma imposição, uma válvula de escape e um modelo estruturante para quem se coloca na posição de filho. Porém, apenas assumindo a posição de pai de outros é que vivemos o arquétipo e o transformamos. No caso, sendo um pai que reinventa o recalque, a sublimação e o exemplo a que foi submetido.
A meditação da árvore consiste justamente em respirar quatro vezes consecutivas em cada esfera, começando por Kether no alto da cabeça, descendo até Malkuth nos pés e retornando no sentido ascendente até o ponto de partida. A prática desta meditação trará em si novos elementos embutidos (palavras-mantra, imagens de cada esfera) para serem incorporados por cada praticante. A cabala, em profundidade, só é recebida através de revelação.


Essa meditação é atribuída a Issac Luria, de Safed, mas tem características universais, apresentando semelhanças no escaneamento do corpo pela respiração com a técnica da meditação budista Vipassana e dos pontos de concentração de energia com a ioga tântrica dos ‘Chakras’. O mais importante é a concentração durante as descidas/subidas na árvore interior com a respiração e o entendimento dos conceitos das esferas.

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