sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A lenda do rato saltador


Era uma vez um ratinho. Ele e seus amigos gostavam de passar as noites ouvindo os velhos ratos contando suas histórias. E a história favorita do ratinho era, de longe, a história das terras distantes, para além das altas montanhas. Tanto é que ele gostava dessa história que todas as noites, sonhava em ir viver nas terras distantes.

Um dia, o ratinho disse para si mesmo:

- Eu simplesmente preciso ver essas terras distantes!

Naquela mesma manhã, partiu em sua jornada. Ele viajou quase o dia inteiro, parando apenas para descansar e comer. Até que chegou a um grande rio, largo e profundo, impossível de ser cruzado pelo pequeno ratinho.

- Oh, como eu nunca atravessar este rio? - disse para si mesmo.

De trás dele, ele ouviu uma voz grave.

- Você não sabe nadar?

Ele olhou e viu um sapo tomando sol deitado em uma Vitória-Régia.

- Nadar? O que é isso? - perguntou o rato.

O sapo pulou na água e começou a bater as pernas.

- Isto é a natação, idiota - disse o sapo.

- Agora, me diz por que você quer para atravessar o rio afinal?

- Eu tenho o sonho de viver nas terras distantes por muitas noites. Eu simplesmente preciso ver isso! - explicou o rato.

- Meu nome é Kambô - disse o sapo - e eu vou ajudá-lo. Vou te dar dois dons mágicos. O primeiro te fará capaz de dividir seus sentidos com os outros e o segundo passará minha capacidade de pular para você. Se agache e pule o mais longe que puder.

O rato pulou e sentiu uma sensação estranha nas pernas. Elas pareciam muito mais fortes do que antes e percebeu que ele tinha saltado mais longe do que ele já tinha conseguido antes.

- Obrigado, amigo! Que bom esse remédio que você deu para mim.

- Você vai experimentar muitas dificuldades em sua viagem, mas se você mantiver a esperança viva dentro de você, você vai chegar às terras distantes - disse Kambô - e eu dar-lhe um novo nome. Você agora será chamado de rato saltador.

E acenou, pulando de volta para dentro da suas plantas. Enquanto o rato saltador pulou para o outro lado do rio e seguiu viagem. Em sua mente, ele ainda podia ouvir palavras mágicas de Kambô: "Manter viva a esperança dentro de você ..." O rato saltador continuou andando até o anoitecer, e, em seguida, cavou um buraco e foi dormir.

No dia seguinte, o rato chegou a uma pradaria. Ele estava caminhando quando viu uma pedra enorme pela frente. Ao se aproximar, ele viu que não era uma pedra, mas um grande búfalo deitado no chão.

- Meu amigo - disse o rato - por que você está deitado ai como se estivesse morrendo?

- Estou morrendo - disse o búfalo - eu bebi de um poço com água envenenada e eu perdi minha visão, não posso encontrar as águas frias a beber ou a erva-doce para comer. Estou aqui deitado esperando o fim.

- Eu sou rato saltador. Meu amigo Kambô me deu alguns poderes da medicina. Eu não sou tão forte como ele, mas vou ajudá-lo. Eu te nomeio “Os olhos de um rato”, passando par a você minha visão.

Mal o rato disse isso quando o búfalo levantou, olhou em volta e piscou os olhos de espanto. Ele bufou com a felicidade. Rato saltador ouviu isso, mas não podia mais vê-lo, pois ele tinha doado a vista e ficado cego.

- Como posso agradecer a você, meu pequeno amigo? - disse ‘Olhos de um rato’ - Este é um dom maravilhoso que você me deu. Em retribuição, vou levá-lo à beira da pradaria.

E o rato saltador subiu no búfalo e, desta forma, chegou à beira da pradaria.

Quando eles chegaram, ‘Olhos de um rato’ disse:

- Eu sou uma criatura das pradarias, então eu devo parar por aqui. Meu amigo, como você vai fazer sobre as montanhas, se você não pode ver?"

- Não sei, mas tenho uma esperança viva dentro de mim.

Rato saltador deu adeus ao amigo ‘Olhos de um rato’ e, mesmo sem enxergar, tomou o caminho para as montanhas. E quando a noite caiu, ele sentiu frio e cavou um buraco para dormir.

Acordou com o sol já alto e saiu tateando o longo caminho até as montanhas, cheirando e, ocasionalmente, mordiscando gramíneas de pequeno porte. Repente, ele bateu em algo. Sentiu pele sob as patas pequenas. Ele cheirou e percebeu que tinha tropeçado em cima de um lobo.

- Olá! Estou o rato saltador. Quem é você?

- Eu sou apenas um lobo.

- Por que você está sentado lá no meio do caminho? - perguntou o rato.

- Eu era uma vez uma criatura muito orgulho, com muito bom senso do olfato - suspirou o lobo - Porque fui muito orgulhoso, tive esse dom tirado. Eu aprendi a ser humilde, mas agora não posso cheiro para encontrar comida para comer. Eu certamente vou morrer.

O rato ficou triste com a história do lobo.

- Meu amigo Kambô me deu alguns poderes da medicina. Eu não sou tão forte como ele, mas vou ajudá-lo. Eu te nomeio “Nariz de um rato”, passando par a você meu olfato. E o lobo farejou o ar da montanha e uivou de alegria, dançando em círculo.

- Eu posso cheirar as árvores e as flores de novo!

E o rato saltador ouviu alegria do lobo, mas, infelizmente, não podia mais cheirar as árvores e flores, tinha dado o seu sentido ao amigo.

- Este é verdadeiramente um dom maravilhoso que você me deu - disse o ‘Nariz de um rato’ - Deixe-me retribuir. Suba em mim e te levo para as montanhas perto das terras distantes.

E o lobo levou o rato em suas costas até as altas montanhas, perto das terras distantes. Quando chegaram, lobo ajoelhou-se com cuidado para que o amigo pudesse descer e disse:

- Pequeno amigo, eu sou uma criatura das montanhas, por isso não posso ir em frente. Mas você ... como você vai seguir até as terras distantes, não sendo capaz de cheirar ou ver?

- Não sei, mas a esperança está viva dentro de mim.

Os dois disseram adeus, e nariz de um rato trote de volta para as montanhas.

- Estou aqui nas terras distantes - disse o rato - ouço o som das folhas das árvores, o sol aquece meu corpo, também sinto o vento ... Mas eu nunca vou ser como eu era. O que devo fazer?

E começou a chorar.

- Rato Saltador - ouviu uma voz grave.

- Kambô, é ... é você?"

- Sim, meu amigo, sou eu Kambô, o sapo mágico. Você tem sofrido muito em sua longa jornada e experimentou muitas dificuldades. Mas foi o seu coração generoso, sua generosidade, que ajudou a trazê-lo aqui. Você não tem nada a temer, meu pequeno amigo.

Em seguida, Kambô levou o rato à beira de um precipício e gritou:

- Pule, rato saltador, pule!

E o rato saltador pulou e sentiu que seu corpo se transformava. Suas patas esticaram e se tornaram poderosas. E logo ele estava sentindo o vento fluindo sobre ele e sob ele. Ele olhou e podia ver as montanhas lá embaixo. Ele respirou e sentiu o cheiro dos pinheiros e da terra.

E, de lá de baixo, ele ouviu o sapo:

- Eu Kambô, o sapo mágico, te dou um novo nome, rato saltador. Você agora será chamado de Águia Dourada ... e você vai viver nas terras distantes, voando livre para sempre.

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